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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Mente Diabólica

Largou a navalha sobre a mesa e refletiu:
_ Bem feito, traste! Já vai tarde. A lembrança de tal ato deixou-a radiante. Tinha plena consciência de que pagaria pelo crime, mas foi em legítima defesa (ao menos pensava que sim).
Ali, inerte no chão, estava o corpo de Márcio. O homem que a rejeitou, que a queria somente como amiga. O tonto não sabia que é impossível existir amizade entre homens e mulheres. Coitado! Pagou com a vida. Não, coitado não! Ele mereceu.
Levantou-se e foi até a cozinha. Bebeu água para acalmar-se. Dirigiu-se ao banheiro, despiu-se. Tomou uma ducha enquanto pensava em como se livrar do cadáver, aliás, do que sobrou dele. A navalha, que furtou do seu vizinho Jorge, era afiadíssima. Com ela fez um trabalho de primeira. Márcio estava irreconhecível. Retalhou seu belo rosto, seus braços musculosos e seu abdômen definido. Ah, sem esquecer-se do seu membro mais poderoso. Aquele sobre o qual todas as mulheres do prédio, da faculdade, tanto comentavam.
Para atraí-lo até sua casa teve a cumplicidade de uma colega. Disseram que era dia de entregar um trabalho de Escrita Criativa e o restante do grupo já estava lá, aguardando-o.
Márcio chegou. Cumprimentou-a e aceitou um copo de suco de laranja. Afinal fazia muito calor naquela tarde de quinta-feira. O que ele não sabia era que seu suco estava batizado. Continha um poderoso veneno, um extrato de dedaleira que não deixaria rastro. Quando fizessem autópsia, diriam que foi vítima de um ataque fulminante do coração.
Olhando para ele sentiu pena. Não poderia fazer tudo àquilo que havia planejado instantes antes. Seria condenada, ficaria longe dele e de todos seus amigos ou “falsos amigos”. Resolveu derrubar o copo antes que ele o levasse aos lábios. Assim o fez.
Foram até a sala e começaram a escrever a quatro mãos o conto “Mente Diabólica”. Não queria perdê-lo.
_ Ser amigo é melhor do que nada! Sem pensar, acabou falando em voz alta.
Ele concordou.
Na cabeça de Fernanda passava outra coisa: _ Um dia serás meu! Tenho paciência.